
A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián: por que quem entrega tudo é o primeiro a ser esquecido | Temporada 8 · Mapa Mental em 11 min
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Sobre este episódio
Você entregou o projeto inteiro, antes do prazo, melhor do que tinham pedido. E a promoção foi para outra pessoa. A conta não fecha: você fez mais e recebeu menos. A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, são 300 aforismos escritos em 1647 sobre uma coisa só — como sobreviver no meio de outras pessoas — e essa conta já estava fechada lá. No aforismo 7 está a frase que desmonta o caminho que te ensinaram: toda vitória é odiosa, e a vitória sobre o dono é ou tolice, ou fatal. Os príncipes gostam de ser ajudados, mas não de ser excedidos, e preferem que o seu aviso pareça lembrança do que eles tinham esquecido, e não luz sobre o que eles nunca alcançaram. Você não foi passado para trás apesar de ter brilhado: foi passado para trás porque brilhou na frente de quem não podia ser ofuscado. Dois aforismos antes está o mecanismo, e ele é concreto: tira-se mais da dependência do que da cortesia. Assim que fica satisfeito, o sujeito vira as costas para a fonte, e a laranja espremida cai do ouro para a lama. Acabada a dependência, acaba a correspondência, e com ela a estima. Neste episódio de 11 minutos: o falcoeiro que não solta mais ave do que precisa para caçar, e a diferença entre entregar menos e entregar no ritmo certo; o poço contra a vitrine; por que trabalho bom não fala por si, já que as coisas não passam pelo que são e sim pelo que parecem; a máxima de deixar as coisas antes que elas te deixem; e a vida do próprio autor — um padre jesuíta que publicou quase toda a obra sem a licença obrigatória da Companhia de Jesus, sob o pseudônimo Lorenzo Gracián, e que em 1657 foi confinado numa cela e castigado com jejum rigoroso. Ninguém precisou te espremer. Você se espremeu sozinho, e chamou isso de dedicação. Obra em domínio público. As passagens foram lidas no original em espanhol do Oráculo manual y arte de prudencia (1647); a versão em português é tradução livre nossa, feita a partir desse texto. 📚 Livro deste episódio: A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián (1647) 🔎 Ver o livro na Amazon 📚 Todos os livros do canal 📲 Quer o mapa mental completo para guardar? Procura no Instagram @resumocast. 🔗 resumocast.com.br Os links da Amazon acima são links de afiliado. Como participante do Programa de Associados Amazon, o ResumoCast recebe uma comissão por compras qualificadas feitas pelos links da Amazon nesta descrição. Você não paga nada a mais por isso. Disclosure obrigatório por força do Amazon Associates Operating Agreement.
Você entregou o projeto inteiro, antes do prazo, melhor do que tinham pedido. E a promoção foi para outra pessoa.
A conta não fecha: você fez mais e recebeu menos. A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, são 300 aforismos escritos em 1647 sobre uma coisa só — como sobreviver no meio de outras pessoas — e essa conta já estava fechada lá.
No aforismo 7 está a frase que desmonta o caminho que te ensinaram: toda vitória é odiosa, e a vitória sobre o dono é ou tolice, ou fatal. Os príncipes gostam de ser ajudados, mas não de ser excedidos, e preferem que o seu aviso pareça lembrança do que eles tinham esquecido, e não luz sobre o que eles nunca alcançaram. Você não foi passado para trás apesar de ter brilhado: foi passado para trás porque brilhou na frente de quem não podia ser ofuscado.
Dois aforismos antes está o mecanismo, e ele é concreto: tira-se mais da dependência do que da cortesia. Assim que fica satisfeito, o sujeito vira as costas para a fonte, e a laranja espremida cai do ouro para a lama. Acabada a dependência, acaba a correspondência, e com ela a estima.
Neste episódio de 11 minutos: o falcoeiro que não solta mais ave do que precisa para caçar, e a diferença entre entregar menos e entregar no ritmo certo; o poço contra a vitrine; por que trabalho bom não fala por si, já que as coisas não passam pelo que são e sim pelo que parecem; a máxima de deixar as coisas antes que elas te deixem; e a vida do próprio autor — um padre jesuíta que publicou quase toda a obra sem a licença obrigatória da Companhia de Jesus, sob o pseudônimo Lorenzo Gracián, e que em 1657 foi confinado numa cela e castigado com jejum rigoroso.
Ninguém precisou te espremer. Você se espremeu sozinho, e chamou isso de dedicação.
Obra em domínio público. As passagens foram lidas no original em espanhol do Oráculo manual y arte de prudencia (1647); a versão em português é tradução livre nossa, feita a partir desse texto.
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